A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) denunciou, nesta segunda-feira (10), na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, a forma considerada desrespeitosa e desorganizada com que o Governo do Estado interveio no funcionamento do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – NEEJA Paulo Freire, localizado na Rua Felipe de Oliveira, em Porto Alegre.
Segundo a parlamentar, o núcleo, que atende estudantes desde a alfabetização até a certificação do Ensino Médio, foi surpreendido, no início do ano letivo, pela chegada de uma comitiva da Secretaria Estadual de Educação e do Corpo de Bombeiros, comunicando a instalação de um curso de formação no mesmo espaço onde a escola funciona regularmente.
“O NEEJA Paulo Freire não para em janeiro e fevereiro. Estive em reunião com a comunidade escolar no dia 9 de fevereiro, no final da tarde, e havia estudantes aguardando para realizar provas e matrículas. É uma escola em pleno funcionamento”, destacou Sofia Cavedon.
De acordo com o relato, a ocupação do espaço pelos bombeiros ocorreu sem qualquer pactuação prévia com a direção, professores, funcionários ou estudantes. A deputada afirmou que não houve reunião para definir quais salas seriam utilizadas, nem acordo formal sobre o uso de áreas comuns como pátio, banheiros com chuveiro e refeitório. Além disso, intervenções físicas já teriam sido realizadas no local, como pintura de muros e instalação de banner institucional.
“A escola não se nega ao diálogo nem à parceria. O que se cobra é respeito. Qualquer cessão de espaço precisa ser pactuada, com termo formal, garantindo que o trabalho pedagógico não seja prejudicado”, afirmou a parlamentar.
Sofia Cavedon lembrou ainda que o Núcleo já funciona fora de sua sede original, na Avenida Bordini, na zona Norte da capital, que aguarda reforma prometida pelo próprio governo estadual. “Esse processo fragiliza a referência da escola na comunidade e compromete um trabalho fundamental para jovens e adultos que buscam avançar nos estudos e no mundo do trabalho”, ressaltou.
A deputada informou que já encaminhou requerimentos oficiais, entrou em contato com a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, e solicitou reunião urgente para tratar do caso. “O NEEJA Paulo Freire pede respeito. Estamos dando voz à comunidade escolar e exigindo diálogo e solução imediata”, concluiu.