O depoimento do governador Eduardo Leite na CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (08/06) foi marcado por um embate entre a defesa do modelo de concessões rodoviárias do governo e os questionamentos dos deputados sobre tarifas, transparência e resultados dos contratos. O governador defendeu que as concessões são a única forma de garantir os investimentos necessários para modernizar a malha rodoviária gaúcha em prazo razoável, argumentando que o Estado não teria capacidade financeira para realizar sozinho as obras previstas.
Durante o debate, a deputada Sofia Cavedon contestou os argumentos do governador sobre a gestão das finanças estaduais e rebateu a afirmação de que “o Estado não é um bom empresário”. Segundo ela, o atual governo apresentou uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com déficit de R$ 4,8 bilhões e conduziu uma renegociação do Regime de Recuperação Fiscal prejudicial ao Rio Grande do Sul. “O governador precisou aumentar impostos porque não conseguiria cumprir aquilo que ele próprio havia encaminhado à Assembleia, com o voto contrário da nossa bancada. Ao mesmo tempo, insiste em afirmar que o Estado não é um bom empresário. Para mim, isso não é sinal de eficiência, mas de má gestão. As privatizações realizadas pelo seu governo demonstram que a iniciativa privada não faz melhor do que um Estado bem administrado”, afirmou.
Sofia também argumentou que o modelo de gestão inspirado na lógica privada não está dando certo no Rio Grande do Sul. “Os gaúchos e gaúchas estão pagando mais caro pela energia elétrica, pela água e pelos pedágios. O resultado desse modelo é o aumento do custo de vida da população, enquanto os serviços essenciais deixam de cumprir seu papel social”, disse.
A deputada criticou ainda o impacto das concessões e privatizações sobre o custo de vida da população gaúcha. Segundo ela, houve aumento das tarifas de energia elétrica, das contas de água e dos pedágios, especialmente nos contratos do Bloco 3. Sofia afirmou que o governo ignora a posição da sociedade em temas centrais, citando as audiências públicas realizadas sobre os pedágios, nas quais a maioria da população se posicionou contra o modelo adotado.
A parlamentar também questionou o financiamento dos investimentos previstos nas concessões, argumentando que os recursos vêm do Funrigs e das tarifas pagas pelos próprios gaúchos, enquanto as concessionárias assumem poucos riscos. Por fim, criticou a manutenção dos valores cobrados no sistema free flow sem revisão. “As privatizações e concessões adotadas pelo governo são a prova de que transferir serviços para a iniciativa privada não significa melhorar a vida das pessoas. Pelo contrário: aumentaram as tarifas de energia, a conta de água e os custos dos pedágios. Quem está pagando essa conta é a população gaúcha”, concluiu.
Fonte: Portal da Bancada do PT