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RS pode instituir Política Estadual pelo Direito à Memória e à Justiça

Projeto de Lei da deputada Sofia Cavedon (PT) propõe identificação de locais de repressão política e ações permanentes de educação em direitos humanos

A deputada estadual Sofia Cavedon protocolou o Projeto de Lei que institui a Política Estadual pelo Direito à Memória e à Justiça (PEDMJ‑RS), iniciativa que busca reconhecer, preservar e divulgar a história das violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura civil‑militar no Brasil, entre 1964 e 1985. O ato ocorreu nesta quarta-feira, 01/4, no Espaço Deputado Carlos Santos, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante a Semana de Lembrança do Golpe de 1964.

A proposta estabelece diretrizes para que o Estado identifique e sinalize locais onde ocorreram prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos forçados e outras formas de repressão política. A medida também prevê ações de educação em direitos humanos, preservação documental e criação de espaços de memória.

Segundo a deputada Sofia Cavedon, o projeto “reforça o compromisso do Rio Grande do Sul com a democracia, com a verdade histórica e com o direito das famílias e da sociedade de conhecer e reconhecer o que ocorreu. Memória é garantia de não repetição”.

Principais pontos do PL

A Política Estadual pelo Direito à Memória e à Justiça tem como objetivos:

  • Identificar e tornar públicos os locais de repressão política no Estado;
  • Promover a memória das vítimas como forma de reparação simbólica;
  • Fomentar a educação em direitos humanos em todos os níveis de ensino;
  • Estimular pesquisas, atividades culturais e produção de conhecimento sobre o período;
  • Preservar e divulgar documentos oficiais relacionados às violações cometidas;
  • Dar acesso às conclusões da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual da Verdade;
  • Recomendar políticas públicas de prevenção a novas violações de direitos humanos.

O texto também prevê a criação de um Fórum Permanente de entidades e instituições ligadas ao tema, responsável por acompanhar a execução da política, fiscalizar recursos e promover audiências públicas anuais.

Ações previstas

Entre as estratégias de implementação estão:

  • instalação de placas, marcos memoriais e monumentos em locais de repressão;
  • criação de um banco de dados público com documentos, depoimentos e acervos;
  • campanhas de conscientização e atividades culturais;
  • formação de educadores e uso pedagógico dos espaços de memória;
  • criação de Memoriais específicos e parcerias com museus e centros culturais;
  • desenvolvimento de um portal digital com mapas interativos e registros históricos.

Compromisso com a democracia

Para a deputada, o PL reafirma a responsabilidade do Estado em garantir que as violações cometidas durante a ditadura sejam conhecidas e debatidas, fortalecendo a cultura democrática. “O direito à memória é um direito humano. É também um compromisso com as gerações futuras, para que nunca mais aconteça”, destacou.

O projeto segue agora para tramitação nas comissões da Assembleia Legislativa.